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Abordagens

Diferentes Abordagens na Psicoterapia

Conheça as diversas formas de se cuidar através da fala e outras técnicas

A palavra psicoterapia tem origem grega. Psyche significa mente e therapeuein – curar. Embora seja historicamente antiga, a psicoterapia surge como tratamento relacionado a questões psicológicas a partir do século XIX e teve Sigmund Freud como um dos seus maiores percursores, através da psicanálise. A partir da difusão da psicanálise as escolas de psicoterapia foram se diferenciando, com teorias e técnicas próprias: Junguiana, Analítico-Comportamental, Cognitivo-Comportamental, Gestalt-Terapia, Psicodrama, Terapia Sistêmica, Terapia Centrada na Pessoa, entre outras.

É normal as pessoas confundirem psicologia, psiquiatria e psicanálise. O psiquiatra é médico de formação e receita remédios para os transtornos mentais como depressão, ansiedade, dentre outros. Dos três, é o único que trata com medicamentos. O psicólogo não medica, ele trata as questões emocionais, mentais e psíquicas através de técnicas psicoterapêuticas embasadas pelo referencial teórico de base da sua formação. O psicanalista, por sua vez, pode ser médico, psicólogo ou ter outra formação. Trabalha com o discurso e utiliza o inconsciente como objeto de estudo e de prática. Em muitos casos, o tratamento medicamentoso acontece em paralelo ao tratamento psicoterápico.

A psicoterapia ajuda as pessoas na consciência das questões em torno de si mesmas e a encontrarem recursos para lidarem com o desconforto inerente ao existir enquanto sujeitos no mundo, e a se responsabilizarem por seus desejos, escolhas e decisões na vida. Para isso, encontra no psicoterapeuta um auxílio nessa caminhada, através de técnicas inerentes a cada referencial teórico de suporte.

A escolha pela abordagem vai de acordo com a demanda de cada um, embora, o mais importante é encontrar um lugar de fala, seja presencial ou virtual, para trabalhar questões emocionais, transtornos mentais, desconforto diante dos problemas da vida e assim, encontrar recursos para compreensão e resolução dos conflitos consigo mesmo e com o outro.

São diversas as abordagens psicoterapêuticas. Não tratamos aqui qual é a mais efetiva, elas se diferenciam através das técnicas utilizadas no direcionamento dado ao tratamento, embasadas teoricamente. O mais importante é que essa condução seja feita por um profissional devidamente registrado no Conselho Regional de Psicologia e que seja responsável diante da sua formação e do seu compromisso ético.

PSICANÁLISE

Método terapêutico criado por Sigmund Freud e sustentado por Jaques Lacan, como uma via de interpretação das manifestações do inconsciente com bases na associação livre e na transferência. Para Freud, desde os primórdios da psicanálise, a análise só acontece sob transferência, relação fundamental entre analista e analisando que funciona como condição para que a fala aconteça de forma livre de resistências e controles. Com a fala ao lado do analisante e a escuta do lado do analista, os desejos inconscientes se manifestam através dos sonhos, chistes, atos falhos e sintomas psíquicos possibilitando saberes que contribuem nos processos de escolhas e posições diante da vida, questionando o mal estar que lhe envolve. A análise contribui na busca por modos de vida mais coerentes com a verdade do sujeito que se escuta pela via destas manifestações inconscientes, e se depara com o que é seu, se responsabilizando pelas suas escolhas e posições diante de si e do outro. O que queres? O que podes fazer com esse desejo? São questões que norteiam uma análise.

COGNITIVA COMPORTAMENTAL

Originariamente criada como “Terapia Cognitiva” por Aaron Beck, a Terapia Cognitiva-Comportamental (TCC) nasce com a proposta de utilizar a base teórica, científica e epistemológica da Psicologia Cognitiva na clínica. A TCC pode ser utilizada para o tratamento de transtornos psicológicos, mas também funciona de forma ímpar na compreensão dos indivíduos sobre si mesmos, ao investigar a relação entre o sistema de crenças que os indivíduos possuem sobre o mundo, sobre os outros e sobre si mesmos e verificar os tipos de comportamentos que estão relacionados a elas. Desta maneira, a TCC se propõe a ser uma psicoterapia estruturada, de curta duração, voltada para o presente, direcionada para a solução de problemas atuais e a modificação de pensamentos e comportamentos disfuncionais, ou seja, inadequados e/ou inúteis. Para isso a TCC utiliza dos achados científicos como norteadores das tomadas de decisão na clínica, sendo considerada então uma psicoterapia baseada em evidências.

ANÁLISE JUNGIANA

A análise Jungiana, baseada nas ideias de Carl G. Jung, tem como objetivo contribuir no processo de resgate da essência do indivíduo, para que ele viva de acordo consigo mesmo. Utiliza a técnica da imaginação ativa, na qual o paciente aprende a liberar suas fantasias e conhecer os outros personagens que habitam em sua mente, integrando aspectos inconscientes à consciência, o que contribui na relação consigo mesmo e com o outro com menos julgamentos e mais aceitação. Também tem os sonhos com objetos de análise, que são investigados a partir do conceito de personificação do inconsciente. Para Jung, vivemos narrativas e assumimos determinados personagens quando sonhamos.

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

A terapia analítico-comportamental procura analisar a relação que os comportamentos do paciente têm com o ambiente em que vive. O paciente é tratado como agente mais ativo no seu processo terapêutico e o psicólogo irá ajudá-lo a perceber o porquê se comporta, sente ou pensa de determinada maneira, a partir da discriminação das consequências que estes comportamentos trazem para sua vida. O objetivo do processo terapêutico é tornar o paciente capaz de manter comportamentos mais adaptativos, e que tragam menos sofrimento, nos diversos contextos em que está inserido.

SISTÊMICA

Terapia Sistêmica Familiar é uma abordagem que visa compreender a pessoa através da dinâmica de suas relações. Desta forma, identifica os conflitos, os padrões que provocam sofrimento psíquico (padrões disfuncionais) em suas relações, e co-constroe novas possibilidades de estar nestas relações de uma forma mais saudável (padrões funcionais), ou seja, a pessoa realiza um processo de pertencimento e individuação. É uma abordagem que abrange atendimentos individuais, casal e família.

GESTALT

A Gestalt-Terapia entende que nós somos seres em constante relação consigo, com o outro e com as circunstâncias, e possibilita ao paciente tomar consciência e compreender quais são as suas necessidades organísmicas, emocionais, relacionais e existenciais, levando-o a assumir a sua responsabilidade existencial e resgatar a habilidade de dar respostas para as necessidades que se apresentam a cada momento, sejam elas antigas ou atuais. A Gestalt terapeuta adota uma relação dialógica de postura horizontal com o paciente, não como aquele que vai oferecer o conhecimento para o outro, mas como aquele que irá construir junto o resgate da habilidade que a pessoa tem para responder as situações do mundo.

TERAPIA CENTRADA NA PESSOA

Criada por Carl Rogers, tem como pressuposto que o ser humano tem uma tendência à realização que o conduz ao desenvolvimento em qualquer direção que queira na vida. Rogers foi um dos percursores da corrente humanista, considerada a terceira onda na história, após a psicanálise e o behaviorismo. A terapia centrada na pessoa, através de um ambiente acolhedor, propicia ao indivíduo condições para crescimento pessoal e alcance do melhor de si, através de aceitação incondicional de si mesmo, de forma empática e autêntica. O objetivo da terapia é levar o cliente a compreender a si mesmo e reconhecer o que ele tem dentro de si e reconhecer que ele pode ser muito melhor. Contribui no entendimento das necessidades para potencializar o crescimento pessoal e facilita a aceitação de si mesma e a trabalhar as forças e capacidades internas. É um tipo de terapia não diretiva, onde o próprio paciente tem o peso de grande parte do processo terapêutico.

PSICODRAMA

O psicodrama, criado por Jacob Moreno, é um tipo de psicoterapia que tem como objetivo resgatar a condição das pessoas em serem criativas e espontâneas, desenvolvendo a percepção sobre si mesmo, o outro e o mundo, promovendo o desempenho adequado dos papéis e tornando a pessoa o autor e ator de sua própria vida. As técnicas utilizadas durante as sessões individuais ou grupais são aplicadas pelo psicoterapeuta em contexto dramático, para colocar hipóteses terapêuticas e procurar levar a pessoa a entrar em contato com questões que estejam dificultando sua atuação em situações cotidianas, por falta de espontaneidade e criatividade. Cada sessão permite uma experiência existencial, estimulando respostas criativas e espontâneas na vida.

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